terça-feira, 30 de abril de 2013

Memória, inteligência e células-tronco




Esta semana um artigo publicado na revista Nature Biotechnology demonstrou que células-tronco embrionárias humanas injetadas no cérebro de camundongos levou ao aparecimento de neurônios e a recuperação da memória. Esta incrível descoberta foi fruto de um experimento que tinha como objetivo elucidar os mecanismos da doença de Alzheimer, mas abriu novas perspectivas na busca de uma terapia para esta doença.
Primeiramente, a equipe de pesquisadores do Waisman Center (EUA) realizou lesões no cérebro de camundongos na área onde estão presentes os neurônios associados à Alzhemier e à outros distúrbios neurológicos como epilepsia. Células-tronco embrionárias humanas foram previamente manipuladas para se tornarem células progenitoras neurais (células precursoras com potencial para originarem todos os diferentes tipos de células do cérebro). Estas células progenitoras foram então transplantadas diretamente na região lesionada do cérebro destes animais. Por fim, os animais foram analisados por testes funcionais e de memória. Os resultados demonstraram que os camundongos transplantados tiveram melhores resultados em testes de memória do que os não transplantados, sugerindo que sua função cerebral foi restaurada
Injeções de células-tronco embrionárias em camundongos podem resultar na formação de tumores, uma vez que estas células são capazes de se dividir muito rapidamente. Entenda mais no nosso site. Controlar estas células, assim como qualquer tipo de célula-tronco, é o primeiro passo para uma terapia. Uma das maneiras de controle é estimular as células-tronco para que se diferenciarem no tipo de célula que você quer, no caso deste trabalho, neurônios.  
Um dos autores argumenta que a chave para o sucesso deste estudo foi garantir que as células injetadas eram todas pré-diferenciadas (para neurônios), e não mais células-tronco embrionárias: "Muitos outros experimentos em que foram transplantadas células-tronco embrionárias resultaram na formação de uma massa de células ou tumores. Isso não aconteceu no nosso caso porque as células transplantadas foram pré-programadas, ou seja, já tinham um destino (neurônios) de modo que não foram capazes de gerar qualquer outra coisa (tumores). A formação de tumores tem sido resultado frequente de grupos sem conhecimento para realizar a manipulação prévia das células.” O autor ainda completa: “As células-tronco adultas também podem produzir alguns tipos de neurônios, e podem ter efeitos semelhantes aos que mostramos. É necessária somente a manipulação correta destas células”.
A chave do sucesso deste estudo foi, então, a manipulação das células-tronco antes do transplante. Uma lição para levarmos para casa. Se as células-tronco embrionárias tivessem sido transplantadas sem prévia manipulação iriam formar tumores e não levariam à nenhuma recuperação de memória. Sabemos que muitas empresas tiram proveito de publicações como esta para fazer propaganda de que células-tronco curam Alzheimer. Mas a verdade é que esta equipe de pesquisadores soube exatamente COMO manipular estas células-tronco afim de obter este resultado e não um resultado adverso. As conseqüências de injeções de células por profissionais sem conhecimento, sem realização de pesquisa prévia, podem ser desastrosas.
A qualidade da extração, a quantidade, a manipulação prévia e muitos outros fatores técnicos são fundamentais para garantir um transplante de sucesso. Recentemente foi matéria de um jornal americano (veja aqui) a necessidade de deixar na mão de profissionais especializados a manipulação de células-tronco. O autor da matéria pergunta: “Você faria uma cirurgia cardíaca com um dermatologista?”. Por isso é necessário estar nas mãos de profissionais de qualidade e pesquisadores. Não se deixe enganar! 

Entrevista dos autores retirada do wired.co.uk 

Quer saber mais sobre células-tronco e memória? Outro artigo muito interessante foi publicado recentemente na revista Cell Stem Cells (veja a reportagem aqui, o artigo aqui e comentários aqui). 

Nenhum comentário:

Postar um comentário